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18
Out



A mão que nos segura e o brinquedo que nos diverte

por Tata N'Gunz Tala

29
Mar

Balé aos 20, 30, 40, 50...?

Sim, sim, sim! Uma pessoa muito querida me pediu para escrever sobre os benefícios do balé para adultos.

26
Jan

Um mês em Nova York

Nestas férias, resolvemos passar um mês em Nova York, uma cidade que dispensa apresentações. Suas ruas, avenidas, pontos turísticos, monumentos, museus, restaurantes e bares já foram mostrados em centenas de filmes e seriados.


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04
Abr

Os desafios e a concha

Recentemente, assisti ao ótimo filme Habbemus Papam, do prestigiado cineasta italiano Nanni Moretti. A trama está focada na crise existencial e psicológica em que o novo Papa mergulha ao receber a notícia de que terá de liderar cerca de 1 bilhão de fieis em todo o mundo.
Entre o trágico e o cômico, como sempre acontece nos enredos de Moretti, com belas referências à obra do dramaturgo russo Anton Tchékhov, o filme me conduziu a uma viagem também psicológica e existencial. O homem por trás da figura do Pontífice, um senhor frágil que dá vontade de colocar no colo, tem um ataque de pânico e foge do Vaticano para vagar pelas ruas de Roma em busca do significado de sua existência.
Diante do gigantesco desafio que, de repente, surge em sua trajetória, o novo Papa só pensa em entrar numa concha e ficar ali escondido de tudo e de todos, refletindo sobre a vida e o destino que deve seguir ou não.
Ao assistir ao filme, pensei em quantas vezes, em quantas situações, eu me vi e me senti exatamente como o personagem da trama de Nanni Moretti. Somos criados para ser fortes, vencedores, para encarar os desafios de cabeça erguida. Mas há momentos em que queremos fugir de tudo, entrar na concha e pensar sobre o sentido da nossa vida, as escolhas que fizemos desde a infância e o que queremos ser ou não ser.  
Eu fico me perguntando, sempre, por que temos que encarar qualquer desafio. Muitas vezes, resolvemos seguir determinado caminho sem ter convicção sobre tal escolha. Apenas decidimos seguir porque não queremos nos mostrar frágeis e titubeantes. Todos querem parecer corajosos e admiráveis. Ninguém quer dizer que adoraria sair correndo para algum refúgio bem distante dessa pressão da sociedade contemporânea pelo sucesso e pelo brilho. 
Nos últimos anos, venho tentando navegar na contramão de tudo isso. Não quero abraçar qualquer desafio. Não quero ser forte o tempo todo. Quero, sim, me mostrar frágil, indecisa, criança de vez em quando, adolescente inconsequente de vez em quando, uma mulher cheia de defeitos, medos, traumas, raivas – um ser errante, com poucas certezas e convicções.
O filme é pródigo em mostrar também essa faceta humana de um líder religioso, o representante de Deus aqui na terra. E como estamos precisando de líderes capazes de mostrar suas fragilidades, seus temores, suas dúvidas... Outro dia, num jantar na minha casa, alguns amigos (homens, é claro) criticavam um político justamente por acharem que ele se revela frágil demais para a opinião pública. “Falta pulso. Falta coragem. Falta grito. Tem que ser macho!!!”, bradavam.  
Eu sinceramente quero ver, cada vez mais, líderes políticos, religiosos e empresariais que sejam capazes de agir com firmeza e assertividade, sim, mas que também sejam capazes de admitir seus erros, recuar nas decisões tomadas de forma equivocada, pedir perdão por ter avaliado mal um subordinado, mostrar que, muitas vezes, ficam paralisados diante das encruzilhadas que aparecem o tempo todo para quem está com o leme nas mãos.
Estamos precisando de boas doses de anima, como diria Jung, nas nossas lideranças. Anima é a parte feminina que deve se completar com o animus, a porção masculina do ser humano. Não se trata aqui de defender o poder meramente feminino. Há mulheres que exercitam o poder apenas com o lado masculino, o que é péssimo. Tão bom é ver uma liderança que transita confortavelmente pelos universos feminino e masculino. Que sabe atuar com leveza, doçura, elegância, firmeza e determinação.
A vida é complexa demais para ser vivida com rigidez. A cada acerto, temos um monte de erros escamoteados. A cada escolha aparentemente certa, deixamos para trás uma infinidade de possibilidades que poderiam também nos fazer felizes.
A existência é surpreendente. É insegura. É inexata. É insana. É mágica. É intensa. É concha. É alegria. É melancolia. É frustração. É sabedoria. É aprendizado, sempre, sempre, sempre.
E, como pregava Jung, não há caminho certo. “Quando seguimos o caminho da individuação, quando vivemos nossa vida; é preciso também aceitar o erro, sem o qual a vida não será completa: nada nos garante – em nenhum instante – que não possamos cair em erro mortal. Pensamos talvez que haja um caminho seguro. Ora, esse seria o caminho dos mortos. Então nada mais acontece e em caso algum acontece o que é exato. Quem segue o caminho seguro está tão bem como quem está morto”.
 


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