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16
Ago

João Pedro, o pensador

Este é um post diferente. Não vou discorrer sobre nenhum assunto. Quero apenas compartilhar com vocês algumas das frases mais espirituosas do meu filho caçula, João Pedro, de seis anos. As crianças fazem comentários maravilhosos sobre o mundo a sua volta.

03
Ago

O inalienável direito de dizer NÃO

Fui criada para ser boazinha, comportada, educada, gentil, doce e feminina. Caçula de uma família de quatro filhas, quando criança era tímida, recolhida, calada e obediente.

03
Mai

As escolhas da vida

     Irina McGovern é uma ilustradora de livros infantis. Mora em Londres com o marido, Lawrence Trainer, um intelectual da área de relações internacionais que trabalha num prestigiado centro de estudos. O casal tem uma relação sólida e tranquila de dez anos – estabilidade que começa a ser ameaçada quando Irina se vê numa encruzilhada: beijar ou não beijar o charmoso jogador de sinuca Ramsey Acton, amigo dos dois. Esse é o enredo do surpreendente livro “O mundo pós-aniversário”, de Lionel Shriver. A infidelidade é um dos temas mais recorrentes na literatura. Mas a diferença desta obra é a forma como a autora resolveu contar algo tão comum, tanto na ficção quanto na vida real. São, na verdade, dois livros em um só. Dois enredos construídos a partir da decisão tomada por Irina diante da possibilidade daquele beijo.

     Com a criação desses dois universos paralelos, a escritora vai costurando o destino da protagonista, com alternativas distintas, dependendo da estrada escolhida por Irina. Trata-se de um drama psicológico, denso e intimista em que a personagem principal vivencia incertezas, inquietações, desafios, desejos, questionamentos e crises existenciais típicas das mulheres na faixa dos 40 anos. Por isso, recomendo o livro principalmente para as quarentonas e também aos quarentões (para que tentem decifrar a alma conflituosa de suas mulheres).

     O interessante deste livro não é pensar apenas nas implicações que uma traição pode trazer à rotina dos envolvidos, e sim refletir sobre as inúmeras possibilidades de escolha que temos ao longo da nossa existência. Todos os dias nos vemos diante da necessidade de tomar decisões – das mais banais às mais complexas. Algumas pessoas já nascem cheias de certezas absolutas; outras são indecisas, inseguras e têm imensa dificuldade de decidir. É realmente uma tarefa difícil, porque escolher é também perder. É abrir mão de toda uma avenida para seguir por outra. E, cá entre nós, mesmo aqueles mais resolutos, seguros de que sempre vão percorrer a via correta, já se viram em situações em que as certezas pareciam ruir e o dilema apresentado era bem mais complicado do que a famosa dúvida entre “casar ou comprar uma bicicleta?”.

     A lista de escolhas difíceis é enorme. Escolher entre dois empregos, ambos muito promissores. Escolher entre dois amores, ambos muito sedutores. Escolher entre a segurança e a paixão. Escolher entre tirar um ano sabático ou investir numa ascensão na carreira. Escolher entre duas profissões. Escolher entre casar ou ficar solteiro. Escolher entre ter filhos ou não tê-los. Escolher entre duas cidades para morar ou entre dois países. Escolher entre ficar na zona de conforto ou embarcar em novos desafios profissionais e pessoais.

     Não importa a decisão tomada. Em todos os cenários a experiência nos mostra que não podemos olhar para trás. Temos que escolher, seguir adiante e deletar os caminhos alternativos. Não é fácil, porém, se livrar do espelho retrovisor. A quantidade de “e se...” que inunda a nossa mente quando precisamos tomar uma decisão importante é gigantesca. Sair desse turbilhão é fundamental para encontrar paz e felicidade na trilha eleita. Infelizmente, a vida não é um programa de milhagem em que acumulamos cada vez mais pontos. A vida é um eterno jogo de ganhos e perdas. Não tem escapatória. A cada escolha, ganhamos por um lado, mas perdemos, por outro.

     Muitas pessoas consideram tudo isso uma grande bobagem porque simplesmente não acreditam que nós, seres humanos, tenhamos o livre arbítrio. É aquela história do destino. De tudo estar traçado, independentemente da nossa vontade. Apesar de achar que algumas coisas estão escritas e vão mesmo acontecer, preciso ter a sensação de que posso gerenciar minha vida. Sou controladora, “control freak”, como bem definiu a minha amiga Mariana Monteiro. Portanto, peço licença a todas as divindades que estão no comando do mundo: nos deem o gostinho de continuar fazendo nossas escolhas – simples, cotidianas, ousadas, conservadoras, complexas, confusas, erráticas... Nem que seja para, depois de pegar todos os atalhos possíveis e impossíveis, chegarmos ao lugar que já estava reservado para nós, cumprindo nossa missão terrena. Livre arbítrio e destino – uma combinação mais que perfeita.



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