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16
Ago

João Pedro, o pensador

Este é um post diferente. Não vou discorrer sobre nenhum assunto. Quero apenas compartilhar com vocês algumas das frases mais espirituosas do meu filho caçula, João Pedro, de seis anos. As crianças fazem comentários maravilhosos sobre o mundo a sua volta.

03
Ago

O inalienável direito de dizer NÃO

Fui criada para ser boazinha, comportada, educada, gentil, doce e feminina. Caçula de uma família de quatro filhas, quando criança era tímida, recolhida, calada e obediente.

10
Jun

Os nossos medos de cada dia

     Você tem medo de quê? A essa altura da vida, 40tona e meio inimputável, não tenho medo de confessar: sou muito medrosa. Sempre fui. Por mais contraditório que possa parecer, sou também corajosa. Quando preciso enfrentar um desafio, vou lá e encaro. Mas sempre morrendo de medo. Cheia de inseguranças, com aquela sensação de estar pisando em areia movediça, prestes a me enfiar num buraco sem fim.

     Quando era pequena, morria de medo na hora de dormir. Medo do escuro. Medo dos fantasmas noturnos. Medo de dormir sozinha. Medo dos meus pesadelos. Eu tinha um sonho horrível, recorrente, que me fazia acordar no meio da noite em pânico. Até hoje não consigo me lembrar desse pesadelo. Fiz e faço um esforço enorme para acessar aquelas imagens aterrorizantes. Nunca consegui. A sorte era que eu tinha uma fada madrinha dormindo comigo e recorria a ela, coitada, todas as noites: “Bel, vamos juntar as camas? Vamos dar as mãos?”. E a minha irmã, sempre com muita paciência e carinho, atendia prontamente o meu pedido de socorro. A partir daí, pegava no sono e o medo noturno se dissipava.

     Ao longo da vida, nos deparamos com todo tipo de medo. É claro que tem gente com muito mais coragem, mais bravura existencial, digamos assim. Mas eu não estou nesse time. Sempre tive uma coleção de medos – desde os simplórios e corriqueiros até os mais existencialistas. Medo do primeiro dia de aula. Medo do primeiro dia num novo trabalho. Medo de barata, cobra e rato. Medo de ser rejeitada. Medo de não ser amada. Medo da solidão. Medo de dizer algumas verdades. Medo de fracassar. Medo de parecer ridícula. Medo do julgamento dos outros. Medo de ser criticada. Medo de perder as pessoas queridas. Medo de magoar as pessoas queridas. Medo do tempo que passa depressa demais. Medo do futuro. Medo do destino. Medo das tragédias sociais. Medo da violência urbana. Medo do imponderável. Medo da morte.

     Em compensação, não tenho medo de amar. Não tenho medo de ter medo. Não tenho medo de parecer frágil. Não tenho medo de demonstrar carinho. Não tenho medo de ser insegura e indecisa. Não tenho medo de não ser corajosa diante de algumas situações. Não tenho medo de arriscar. Não tenho medo de me expor. Não tenho medo de dizer “eu te amo”. Não tenho medo de pedir colo. Não tenho medo de dar colo.

     Desconfio muito daquelas pessoas que parecem sempre felizes, seguras, corajosas e fortes. Na minha opinião, não passa de um personagem que interpretam para o público externo. Todos nós temos dias ou fases de verão e primavera. Outras de inverno e outono. Portanto, não há problema nenhum em colecionarmos medos. A grande questão é não deixar que esses temores nos aprisionem. Precisamos reconhecê-los, conviver com eles, enfrentá-los e superá-los na medida do possível. Temos arsenal suficiente para isso. O que não dá é fingir que tudo está sempre sob controle e empurrar nossos medos para aquelas gavetinhas escondidas nos recantos da alma. Nunca quis e não quero ser rocha o tempo todo. Outro dia li um provérbio oriental e tirei dali uma grande lição para viver melhor: “Não há que ser forte. Há que ser flexível”.



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