Uma das melhores coisas da vida é viajar. Sou daquele tipo de gente que muda o humor só de pensar e planejar uma nova viagem. Pode ser para passar um final de semana perto de Brasília, na fazenda da minha irmã, ou na cidade histórica de Pirenópolis. Pode ser para passar um feriado prolongado no Rio ou em São Paulo. Pode ser para cruzar as fronteiras do Brasil rumo a outro país. Tudo é válido, porque viajar é sempre uma aventura. Adoro conhecer outros lugares, outras maneiras de viver o cotidiano, outras culturas. Experimentar novos sabores, admirar novas paisagens, aprender um pouco mais sobre história, observar costumes e pessoas diferentes.
Na minha família, todo mundo adora viajar. Somos meio fanáticos por isso. Nos encontros familiares, o assunto viagem sempre dá um jeitinho de dar as caras e, quando menos esperamos, vira destaque. Meu pai costuma brincar dizendo que “inoculou o vírus da viagem” nas quatro filhas. E o vírus foi devidamente transmitido para os netos. Todos são andarilhos. Até mesmo João Pedro, o caçula da família, de seis anos, é doidinho por uma viagem. Felizmente, tivemos várias oportunidades de viajar com nossos pais ao longo da nossa adolescência e juventude. Fizemos viagens maravilhosas para lugares incríveis. Mas nessas andanças o maior aprendizado não foi o conhecimento da história e da cultura deste ou daquele povo. O grande legado foi outro: a chance de estreitarmos ainda mais os laços familiares.
Depois que todas nós casamos e construímos nossas próprias famílias, os périplos com o núcleo de origem se tornaram mais raros, obviamente. No entanto, em algumas ocasiões especiais, planejamos viagens com nossos pais. Fomos a Nova York quando minha mãe fez 60 anos, comemoramos o aniversário de 70 anos dela em Buenos Aires, visitamos Lisboa no ano passado e, recentemente, viajamos para Miami para festejar o aniversário do meu pai.
Miami não é uma cidade que provoca encantamento à primeira vista. Mas, sem dúvida, é um lugar bonito, com restaurantes bacanas e descolados, badalação noturna, vida cultural pulsante, gente simpática, uma praia linda com mar azul e transparente, hotéis maravilhosos, um conjunto arquitetônico art deco sensacional (em South Beach, o bairro mais moderninho), shoppings chiques como o famoso Ball Harbour, outlets gigantescos que chegam a dar agonia e, consequentemente, um imenso apelo para comprar, comprar e comprar. É também um lugar de contrastes – extremamente sofisticada e, ao mesmo tempo, brega de doer. Tudo isso faz de Miami uma cidade interessante.
De novo, entretanto, os grandes encantos não foram os pontos turísticos de Miami. Foi a convivência familiar intensa de que desfrutamos durante a semana em que estivemos por lá. Uma oportunidade que nem sempre temos em meio à rotina massacrante de trabalho e responsabilidades com filhos, casa e compromissos sociais do dia a dia em Brasília. É incrível, moramos todos na mesma cidade e, muitas vezes, não dispomos de tempo suficiente para bater um longo e tranquilo papo.
Em Miami, pudemos curtir um pouco mais nossos pais e o convívio entre nós, irmãs. Foram almoços, jantares e passeios divertidos, que contaram também com a presença de um de meus sobrinhos, José, filho da minha irmã, Karla, que nos acompanhou nessa aventura. Aliás, José, de 11 anos, deu um toque todo especial à viagem. Garoto inteligente, engraçado, despachado e sagaz, sabe se virar em qualquer lugar. Com um inglês perfeito e conhecedor de Miami de outras visitas, ele acabou fazendo o papel de nosso guia turístico – sempre bem-humorado e espirituoso, levando todos às gargalhadas.
Essas viagens funcionam como uma espécie de “parênteses” na nossa vida adulta, em que temos de desempenhar múltiplas funções – mãe, mulher, profissional, dona de casa. Quando saímos da rotina só com os pais e os irmãos (no meu caso, irmãs), parece que fazemos, na verdade, um retorno ao útero familiar. Por alguns dias, deixamos de lado nossos papéis atuais para voltar um pouco no tempo e vivenciar novamente aquela dinâmica familiar que ajudou a nos moldar e a nos transformar nos adultos de hoje. São momentos inesquecíveis, permeados de amor, cumplicidade, carinho, respeito e também de brigas, discussões e estranhamentos – típicos das relações familiares. Sempre uma grande viagem.