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16
Ago

João Pedro, o pensador

Este é um post diferente. Não vou discorrer sobre nenhum assunto. Quero apenas compartilhar com vocês algumas das frases mais espirituosas do meu filho caçula, João Pedro, de seis anos. As crianças fazem comentários maravilhosos sobre o mundo a sua volta.

03
Ago

O inalienável direito de dizer NÃO

Fui criada para ser boazinha, comportada, educada, gentil, doce e feminina. Caçula de uma família de quatro filhas, quando criança era tímida, recolhida, calada e obediente.

19
Abr

Visibilidade para as Meninas da Esquina

     Já está em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília o filme “Sonhos Roubados”, da diretora Sandra Werneck, baseado na impactante obra “As Meninas da Esquina”, da jornalista Eliane Trindade. “Sonhos Roubados” conta a história de três adolescentes da periferia do Rio de Janeiro que, para sobreviver, acabam entrando no perverso mercado do sexo. São jovens que enfrentam um cotidiano cheio de percalços, negação de direitos, violência, sonhos e descobertas. Um dos maiores méritos do filme é mostrar essa realidade cruel com delicadeza, sensibilidade e, sobretudo, sem preconceitos ou moralismo. 

     É tarefa difícil falar sobre o tema da exploração sexual de crianças e adolescentes. Muitas vezes as meninas que vivem do mercado do sexo são encaradas com um olhar piedoso. Raramente são ouvidas. Suas histórias, dilemas, anseios e problemas, bem como as soluções para tentar mudar suas vidas, são abordados pelos adultos. E o que é pior: com uma visão absolutamente distanciada do cotidiano e das necessidades dessas garotas.

     O livro de Eliane Trindade foi revolucionário no sentido de dar voz a essas adolescentes. Durante mais de um ano, a jornalista acompanhou o dia a dia de seis garotas prostituídas de diferentes partes do Brasil. Os relatos que aparecem no livro são fruto dos diários escritos pelas próprias meninas. A obra é, portanto, forte, verdadeira, sem filtros, sem palavras politicamente corretas. É uma leitura complicada, inquietante, um soco no estômago em diversos momentos. Mas é também uma leitura fundamental para quem pretende desvendar as diversas facetas de um País ainda tão desigual, tão desumano e tão cego para algumas realidades que se apresentam óbvias. Afinal, as meninas estão em todas as esquinas do Brasil – nas cidades pequenas, médias e nos grandes centros urbanos. Se olharmos para elas de forma mais compreensiva, generosa e não preconceituosa, veremos que não são muito diferentes dos nossos filhos. Os sonhos, as angústias, as incertezas e as inseguranças são semelhantes. A diferença é que nossos filhos têm acesso a uma boa escola, à saúde de qualidade, ao esporte, à cultura, ao lazer, a cursos extracurriculares. Seus direitos estão assegurados. 

     No filme, Sandra Werneck mistura partes desses diários e constroi, dessa maneira, o perfil das três jovens que moram numa favela carioca. O produto final é interessante e emociona o público, embora seja menos contundente do que o livro “Meninas da Esquina”. A atuação das três atrizes – Nanda Costa, Amanda Diniz e Kika Farias – é primorosa e confere ao filme um jeito adolescente e leve de tratar temas indigestos como abuso e exploração sexual, gravidez não planejada e violações constantes de direitos. 

     É exatamente o equilíbrio entre a dureza desse cotidiano (que, infelizmente, é o de milhares de jovens em todo o Brasil) e as alegrias, os laços de amizades e as inconsequências típicas da adolescência que fazem de “Sonhos Roubados” uma obra que merece ser vista – essencial para que a sociedade brasileira comece a enxergar as meninas da esquina. 

    



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